Terça-feira, Abril 03, 2012

A vida cá em baixo

O sol envergonhado aquece as almas por entre os intervalos da chuva e do vento intenso dos últimos dias. 
O cheiro a erva é mais activo quando assim regado pelo excesso de água. 

As árvores começam a florir em ar de Primavera e os nossos corações choram a partida de quem já não partilha o temporal, porque já partiu quem nos punha a mão por cima e por entre palavras de todos os dias evitava que a chuva nos molhasse, e que o vento não levasse com ele os sonhos repartidos.  

É de si e dos nossos momenos de partilha conversa e desconversa, dos momentos dificeis em que se confessava o inconfessável, porque sim. Porque tinha sido assim que aprendemos a viver e a conviver em família... é de todos os momentos somados que são vidas, que tenho saudades.
Choro por não ter sido sempre capaz de apreciar o homem que se deu a tudo e a todos em que acreditava na vida em troca de nada. Essa faceta altruista era por vezes mal entendida, passava despercebida de tal forma era natural em si. Agora, no meio do sofrimento e da confusão continuava oferecer protecção a quem era mais desprotegido e pedia a todos que continuassem a contar com ele. Ficaram as palavras e os gestos que guardarei sempre, porque foi assim que nos ensinou a ser gente. 


 Gosto de me lembrar de tudo, mas sobretudo de não me esquecer que tive a sorte de ter crescido com ele e de ter aprendido que se deve olhar para o lado e repartir o que temos mesmo que seja pouco, porque há sempre quem tenha ainda menos e viva.

- Vamos lá a comer tudo. Há neste mundo muita gente com fome. Ai de quem se atreva a deixar comida no prato, ou a desrespeitar a refeição, pondo os restos fora, esquecendo quem sabe, o dia em que poderá precisar deles.

A genorisidade era igual à sua humildade. Nunca se considerou melhor do que os outros mesmo quando os colegas lhe telefonavam a saber como resolver questões do dia a dia.
Alvitrava, sugeria e eles seguiam-no nas soluções que encontrava para as situações mais complicadas.
Foi este pai que tive e foi também o pai do rigor, das normas, regras e rotinas, que tanto nos irritavam até percebermos que é com limites que se educam pessoas. Obrigada pai e até sempre. porque no meu coração continua presente.
Aí em cima como é? Dá para dizer à gente?
G

Segunda-feira, Março 19, 2012

Domingo, Março 18, 2012

As Impurezas do Branco

de: Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco' 

Mas era apenas isso,
era isso, mais nada?
  Era só a batida
numa porta fechada?

E ninguém respondendo,
nenhum gesto de abrir:
era, sem fechadura,
uma chave perdida?

Isso, ou menos que isso
uma noção de porta,
o projecto de abri-la
sem haver outro lado?

O projecto de escuta
à procura de som?
O responder que oferta
o dom de uma recusa?

Como viver o mundo
em termos de esperança?
E que palavra é essa
que a vida não alcança?

Quarta-feira, Fevereiro 29, 2012

Foi em Peniche que o Ahmad tirou uma foto a esta amiga a apanhar sol na tarde de domingo.
Estou muita aquém de reproduzir a imagem, mas gostei de a recriar.

Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

Além

A ponte era a imagem que retinha de infância. A casa, a passagem, a mudança, a ligação desligada entre margens, que paralelas contêm em si aquele leito que repentinamente salta amarras e procura novo percurso, inundando de medo terras e gentes da vizinhança. Correr, correr assim sem sentido, até parar impedido por algo grande, imponente, ou importante. Volta então ao leito, lembrando para sempre que a liberdade está tão somente para além da cada uma das suas margens.

Domingo, Janeiro 29, 2012

A minha Frida Kahlo

Surpreendente a multidão no museu da cidade, hoje dia 29 de Janeiro, fim da exposição de fotos de FRIDA KAHLO. A tarde estava soalheira e apetecia andar na rua a deixar que o sol nos tocasse. Em vez disso, havia espera para ver mais detalhes da intimidade da vida desta mulher que ficou na história da pintura, e do México. A tremenda intensidade, a dor, o amor e uma vontade indomável, fizeram de Frida a grande mulher, a mulher que no fundo todas sonhamos ser, mas que raramente conseguimos, porque é difícil, porque é doloroso e porque não nos ensinam nada disto. Turbulência e lutas é tudo o que nos ensinam a evitar. Para mim hoje foi mais uma vez a descoberta.Foi ir às raízes, raízes que ela emudeceu para ir ao encontro de si mesma, e da sua verdade, casando contra a vontade da mãe com Diego Rivera, que iria ser o responsável pela sua incursão na pintura, mas que iria ser um tormento intimidatório na vida de Frida Kahlo. Bateu-se e debateu-se com a doença, as amantes do marido e as suas próprias, com ideiais políticos não consentâneos, etc. É a VIDA assim com letra grande, que todos admiramos e com que nos encantamos, mas que poucos são capazes, porque é dificil e dói, mas que é também fantástica e arrebatadora. Essa Vida intensa, foi a que Frida Kahla conheceu e a tornou na intensa e profunda personagem que tentamos perceber e entender nos mais ínfimos detalhes, porque isso nos delicia e faz sonhar.

Segunda-feira, Janeiro 23, 2012

Para quê fechar a porta?


Para quê fechar a porta?, upload feito originalmente por mgbon - graça neves.

Para quê fechar a porta?
Para quê fechar a porta?

A aldeia é pequena e todos se conhecem com exceção dos forasteiros como nós que invadimos as ruas, ruínas e lugares só para encontrar a verdade das coisas, dos materiais e do tempo.
Não há como fugir ao tempo, porque as marcas prevalecem muito para além da vontade das gentes.
Passam de geração em geração insistindo em contar histórias aos mais novos, assim como que a dizer o que é o respeito.
E respeito é a verdade singular da cultura de um povo.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

Quinta-feira, Janeiro 19, 2012

Naturally alive


Naturally alive, upload feito originalmente por mgbon - graça neves.

Pintura digital
Desenhada e pintada com pastel de óleo e passada para o computador para ser editada

Terça-feira, Dezembro 27, 2011

Acerca de tudo e de nada

Obra de Vik Muniz A manhã passou sem que dessemos por isso. O tempo estava frio e o sol aquecia-nos atravás das roupas invernosas que trazíamos. Sentamo-nos na estação dos combóios. Encostados à parede estavamos desejosos de sentir o sol a entrar devagarinho na sua cadência invernosa através da nossa pele para aquecer a alma. Olhamos então um para o outro com um sorriso que já não sabíamos desde o dia anterior. Ouvia entretanto a conversa entre duas mulheres. Ambas se queixavam da situação, uma porque tinha perdido o trabalho, outra porque ainda com filhos em casa a quem sustentar, tinha agora a filha mais velha á espera de um bebé, mais um residente para o espaço exíguo da casa onde todos, ela e mais 4 filhos viviam. O combóio chega e aí vão, cada uma em sua direcção, seguindo a vida. Ficamos um pouco mais pelo sol e fomos à consulta de ortopedia. Até os arrumadores tinham próteses...ali naquele espaço igualmente pequeno vendia-se e fazia-se de tudo. As pessoas saiam invariavelmente constrangidas pelo esforço de habituação às próteses. Fomos só comprar umas palmilhas, coisa de pouca monta, mas vimos que se vendia esperança por ali. De seguida e pela proximidade acabamos às voltas no museu e nas livrarias. Passados os olhos pela linguagem estética de Vik Muniz que é impressionante. Um mundo visto de uma escala e de um lugar completamente seu e deveras inovador,passamos os olhos pela colecção completíssima de cartazes da segunda guerra e acabámos olhando o Tejo em frente a duas meias de leite quentinhas. Entretivemo-nos na leitura de dois livros que compramos e de volta tiramos mais uma fotos aquele espaço que é sempre de grande armonia e beleza. Os pasteis de Belém á pinha com uma fila que chegava aos Jerónimos, como nunca vi. Afinal a crise desperta os sabores e pede-nos doces.

Segunda-feira, Dezembro 26, 2011

Acreditar é quanto basta

É assim em tudo na vida... É o crer que nos faz seguir em frente, ir mais além. Quando a fé se vai, esvai-se tudo e fica em nós um vazio dificil de preencher. Lutamos interiormente para não pensar nisso. Pensamos que não estamos a ser justos. Que estamos num dia mau. Que é por causa dos outros, da crise do pais...mas na verdade é porque a fé se foi. Esvaiu-se hoje por nada, amanhã porque não acontece nada e por fim porque lhe damos uma forma e lhe chamamos um nome. É esta a razão porque nunca consegui pertencer a nenhuma religião.

Quinta-feira, Dezembro 22, 2011

Sábado, Dezembro 03, 2011

Ahmad Lamego "Above us only the sky"

Uma ano depois de ter estreado no Chapitôt, passado por Peniche no dia 25 de Abril, esta exposição está agora patente ao pùblico no Teatro Ribeiro da Conceição em Lamego, no Salão Nobre, até ao dia 15 de Dezembro.

Quarta-feira, Novembro 30, 2011

Ausente


Ausente , upload feito originalmente por mgbon - graça neves.

Via Flickr:
No meio de um turbilhão de gente num desfile de Ìndios em Portland.
Estava concerteza numa viagem ao interior de si. No meio das raízes que sâo as suas, um mergulhar confiante, mas comovente

Sábado, Novembro 26, 2011

inverno


inverno, upload feito originalmente por mgbon - graça neves.

No inverno para além dos passos, do cair da folha e da brisa ligeira, nada mais se ouve.
As palavras perdem-se no ar, as folhas no chão... até que o sol volte a sorrir para aquecer as almas.

Sábado, Novembro 19, 2011

Suzanne


Suzanne, upload feito originalmente por mgbon - graça neves.

LEONARD COHEN

Suzanne takes you down to her place near the river
You can hear the boats go by
You can spend the night beside her
And you know that she's half crazy
But that's why you want to be there
And she feeds you tea and oranges
That come all the way from China
And just when you mean to tell her
That you have no love to give her
Then she gets you on her wavelength
And she lets the river answer
That you've always been her lover
And you want to travel with her
And you want to travel blind
And you know that she will trust you
For you've touched her perfect body with your mind.

Segunda-feira, Outubro 31, 2011

A todos os meus amigos e conhecidos que me acompanham no Blogspot por quase 8 anos, sugiro me visitem em http://gracaneves.com/, o meu novo espaço. Obrigada e até já :)

Domingo, Outubro 16, 2011

O estado das coisas

Não é fácil dar, quando não temos para nós mesmos....parece Lapalissiano, lógico e um sem número de coisas mais, mas de facto estar em défice emocional económico e etc, faz o país estar desiquilibrado e torna a vida das pessoas balanceante e frágil.

Nada mais acontece como outrora em que as únicas mudanças na vida coincidiam com a licenciatura, entrar na vida activa, ter um casamento com muita gente e fazer listas de casamentos sem fim, e finalmente ter filhos.
Uma vez alicerçados neste status, nada abanaria por longos anos a vida de qualquer português que se preze de ter tido a chance de ter cumprido o estipulado e esperado, pelos pais e pela sociedade.
Até à meia idade as coisas andavam, e a vidinha ia-se compondo para em breve ter mais uma casa onde se passavam fins de semana com amigos lá da empresa ou da escola e do liceu.
As coisas complicavam-se quando a saúde não ajudava, ou quando os filhos não cumpriam as espectativas dos progenitores.
Aí era tão complicado, que muitas vezes era o fim da relação familiar nos seus diversos contextos.
Como não fôra suficiente, na empresa as coisas deixaram de correr bem e gerava-se a catástrofe, a que não faltava o bode espiatório sempre culpado com a queda do império.

Actualmente é tudo mais rápido e as mudanças, catástrofes ou o que se queira chamar estão sempre a acontecer.
Nada mais é imutável e ainda que sejamos todos ou quase todos da era do facebook e das relações estabelecidas na e pela net, não nos apercebemos do que isso significa para a nossa vida.
Mostramo-nos surpreendidos, quando olhamos para o lado e o companheiro ou a companheira já lá não estão.
Aí perguntamo-nos o que fizemos para acontecer tal desastre e não temos resposta, porque por faz tempo nós próprios tínhamos já partido.
Estivemos com os amigos virtuais, reais ou o que seja, que do outro lado só concordam e dizem a tudo que sim.
Entretanto a realidade está ali com tudo o que conseguimos construir e parece-nos pouco, muito pouco mesmo, porque o calor humano esse, partiu.

Olhar em volta sem saber por onde começar para deixar de lado a estranha sensação de estarmos sós e mais sós ficamos quando nos apercebemos que os amigos com quem partilhamos parte do nosso tempo, foram-se, fugiram...mudaram-se para casa de outros com menos problemas e mais capazes de os entreter.

Reparamos então que para além de um monitor e mais umas coisas que ainda temos em casa, nada mais nos resta para dar.


Segunda-feira, Agosto 29, 2011

Os limites


Os limites estão quase sempre para além da idade. Pode sentir-se a vida inteira, assim como se pode sonhar e ter cumplicidades e sorrisos e ausências e amigos, até que a luz desapareça do nosso olhar.
Cada vez gosto mais, quero mais, sou mais...
e tudo isso porque tenho também mais idade. mas é bom, muito bom, mesmo.

Domingo, Agosto 07, 2011

A vida por um fio


Vejo e sinto todos os dias esta fragilidade, esta ausência, esta renúncia pouco convencida de o ser... porque está muito para lá disso. È mesmo do que não se sabe. Nada ou pouco posso fazer ou acrescentar...
É o vazio, e a distância de quem já se foi. No olhar vejo o vazio e sinto no seu corpo a despedida. Cada dia receio telefonar e saber que acabou. A cada dia peço de mim o esforço de estar, de ir e de lhe dar ânimo, mas a minha vontade é fraca e quando dou por mim estou em casa à espera que nada tenha acontecido, toda encolhida e escondida no meu medo.
Tenho medo do fim e de não saber estar à altura de prolongar com qualidade e ânimo a flor mais velha do meu quintal. Mesmo assim ainda me ensina coisas!...
ensina-me a enfrentar a realidade parda, por vezes negra da ideia que temos de morte.
A morte anuncia-se sim senhor.Por vezes abruptamente, outras ela vem vindo assim como quem não quer nada, emprestando às pessoas mais barreiras, menos capacidade, menos vontade, menos força e menos vida. Aos poucos baixam-se os braços, a cabeça enfiada entre os ombros ainda que a fugir ao invitável e finalmente deixamo-nos levar por ela com um suspiro eterno.

Domingo, Junho 19, 2011

As linguagens da comunicação


A ambiência e a envolvente estética, deixaram-me surpreendida, quase perplexa.
Estava perante todas as linguagens da comunicação não me apercebendo de qual a mais importante.
A música é a mais estridente, mas não a mais surpreendente, do ponto de vista emocional. Serviu para marcar um ritmo, para implementar uma dinâmica … e para deixar ver uma cenografia espantosa, ora bélica, ora mística.

O espectáculo arrasta-nos para algo fascinante que é o espaço universal.
A primeira sensação foi a de uma pequenez imensa, uma grande calma e a perca de referências...de mim, do espaço e das pessoas em volta.

O sentimento era de grandiosidade, no sentido universal do termo.
A enormidade daquele momento estético, sobrepunha-se a tudo.

O som e as imagens, sobretudo estas, faziam-me sentir em comunhão perfeita com o universo, com a natureza, com a vida. Senti o que é ser-se universal, numa completa simbiose com o universo em toda a sua plenitude. Tudo desapareceu numa simbiose perfeita e numa partilha avassaladora que me levou dali, como se de uma partícula se tratasse.
Deixei o meu corpo para trás,era uma outra dimensão. O meu espírito, longe de mim, vagueava, gozando do previlégio único de não ter peso nem volume e de simplesmente se deixar ir. A emoção plena ...

A forma de linguagem mais forte foi a das imagens.
A natureza estava ali toda, sem espartilhos, cumprindo a missão de tornar mais belo o quotidiano.

O barulho do projector de slides, marcava o ritmo que era coincidente com o bater do coração. Senti-me a viajar por entre cada uma das cenas passadas, a sentir cada uma das formas e das cores, procurando exaustivamente a razão de serem assim perfeitas.

Perante esta enorme panóplia de sons, cores, formas e texturas, o tempo parou Sentia-me livre, feliz e diferente. Passei a fazer parte das imagens, como elas de mim.

Quinta-feira, Junho 16, 2011

No Alentejo...


as árvores falam entre si....
Além, a grande planície onde o silêncio tem cor, cheiro e som.
Um som que propicia a meditação e o reencontro connosco.
As árvores estão lá para decorar a paisagem e para oferecer a quem passa,
um repouso à sua sombra.
É assim o Alentejo por esta altura.